Liquido arrefecimento!

A troca do líquido de arrefecimento do veículo é um procedimento fundamental para manter a temperatura certa do motor em todas as condições de uso e evitar a corrosão do sistema, o ressecamento prematuro de mangueiras e vedações, e outros sérios danos ao conjunto

Carolina Vilanova

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Um sistema de arrefecimento funcionando corretamente, na temperatura ideal, só traz benefícios ao motor, que ganha em durabilidade, economia de combustível e desempenho e, consequentente, tem menor nível de emissões. Por isso, a troca do fluido de arrefecimento, uma mistura de água e aditivos específicos, é de extrema importância no check list da manutenção preventiva de um veículo.

A função do aditivo de arrefecimento é transformar a água num fluido adequado ao bom funcionamento e proteção do sistema de arrefecimento do motor de combustão interna. “O líquido faz a troca de calor, ganhando calor quando passa pelo motor e perdendo ao passar no radiador”, explica Fernando Landulfo, instrutor do SENAI-Vila Leopoldina.

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“Existem vários aditivos para arrefecimento no mercado brasileiro, mas o mecânico deve usar aquele recomendado pelo fabricante ou outro de especificações similares de boas marcas. Cuidado com os líquidos de má procedência, procure sempre certificados e homologados”, alerta.

A composição e as propriedades dos fluidos variam de acordo com as especificações de cada fabricante, mas, geralmente, são produtos à base de polímeros, etilenoglicol e agentes anti-corrosivos. A formulação pode mudar bastante para aplicação em motores de alumínio, pois determinados agentes que protegem o aço e o ferro fundido atacam o alumínio.

O engenheiro de Aplicação da Bardahl, Arley Barbosa da Silva, explica ainda que existem duas categorias de aditivos, os coolants e os anticorrosivos. Os coolants são os aditivos que possuem em sua composição monoetilenoglicol e um pacote anticorrosivo, e são divididos em duas categorias: os orgânicos (vida estendida) e os inorgânicos. As indicações de um ou outro variam de acordo com as recomendações das montadoras. Os orgânicos oferecem um intervalo maior entre as trocas, o que gera menos descarte de resíduo no meio ambiente.

“Os coolants devem atender a algumas normas, como a NBR 13705 (aditivos coolants inorgânicos concentrados) e a NBR 15297 (aditivos coolants orgânicos concentrados). Já os anticorrosivos são fluidos cuja principal função é prevenir a corrosão, geralmente usados em veículos pesados, de fabricação mais antiga”, comenta Arley.

De acordo com Graziano Oliveira, consultor Técnico da Radiex Produtos Automotivos, a indústria dos aditivos, também chamados de protetores do sistema de arrefecimento, evoluiu bastante na última década e os produtos à base de polímeros – mais baratos, mais eficientes na troca de calor e menos prejudiciais ao ambiente – estão substituindo os compostos desenvolvidos a partir de etilenoglicol, que apesar de terem o seu ponto de congelamento reduzido, são feitos a partir do petróleo, matéria-prima que, além de mais poluente, está mais suscetível às variações de preço do mercado.

Graziano explica ainda que o aditivo de radiador contém uma combinação de inibidores de corrosão, que oferecem proteção às ligas de alumínio, ferro fundido, aço e metais não ferrosos. Prolonga a vida útil dos componentes do sistema como mangueiras, bomba d’água etc. Evita a corrosão, a formação de espuma, eleva o ponto de ebulição da água e baixa o ponto de congelamento, no caso dos produtos com base glicol. “São produtos que devem atender as rígidas exigências da NBR-13.705, SAE-J1034 e ASTM D 3306”, reforça.

Troca do fluido de arrefecimento

O técnico da Bardahl recomenda que a troca seja feita sempre no período indicado pelo fabricante, conforme os manuais, que indicam a primeira troca em torno dos 30 mil km ou 1 ano de uso, podendo chegar a até 120 mil km ou 5 anos, de acordo com o tipo de aditivo.

“Recomendamos verificar, na hora da compra, se o fluido é concentrado (deve ser misturado com água antes de ser colocado no veículo) ou diluído (pronto para uso). A concentração do líquido (tanto de água, quanto de coolant) deve seguir a recomendação do fabricante. Existem produtos de limpeza que podem ser usados antes da troca e que vão despreender possíveis sujeiras e incrustrações em partes do sistema”, completa Arley.

“Se o prazo for ultrapassado o motor pode apresentar corrosão, impregnação, diminuição do ponto de ebulição do fluido e ressecamento prematuro de mangueiras e vedações”, acrescenta Landulfo.

Procedimento

Substituir o líquido de arrefecimento do motor é um serviço simples de efetuar, porém, exige muito cuidado e atenção do mecânico, primeiro, em relação à segurança, e por conta da escolha correta do produto a ser colocado no carro. Por isso, a recomendação é que apenas mecânicos profissionais em oficinas devidamente equipadas devem fazer o serviço.

O instrutor Marcos Antonio da Cruz Luiz, do SENAI-Vila Leopoldina, realizou o procedimento em um veículo Fiat Palio ano 2003, equipado com motor 1.0 Flex. Ele alerta que são necessários cuidados especiais e equipamentos de proteção, como luvas de algodão ou química, protetor facial, roupa profissional em algodão ou brim.

“Em relação às ferramentas para executar o serviço, o mecânico precisa das convencionais, além de equipamentos de teste de estanqueidade (bomba e adaptadores) e termômetro infravermelho, para verificar, à distância e com precisão, as temperaturas dos diversos setores do sistema de arrefecimento”, complementa.

1) A troca deve ser feita com motor frio e pode ser de maneira manual ou mecanizada, com a ajuda de um equipamento específico.

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2) Manualmente, o mecânico deve abrir o sistema, de preferência, no ponto mais baixo e esgotar todo o líquido. Não se esqueça que esse líquido deve ser descartado corretamente, pois contamina o meio ambiente.

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Obs.: Existe um líquido para limpar o sistema, dependendo do caso, que só deve ser utilizado com aval do fabricante do veículo.

3) Abra o respiro do sistema, ou seja, faça a sangria para não ter bolhas de ar dentro das mangueiras e do radiador.

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4) Faça a mistura na proporção indicada pelo fabricante, utilizando um recipiente a parte.

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5) Em seguida, coloque o produto novo de volta no sistema (5A). Coloque até a medida indicada, mas veja também se o líquido está saindo pelo respiro, o que significa que não tem mais bolhas no sistema. (5B)

 

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    5A
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    5B

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Obs.: Quando colocar o líquido, posicione o comando de ar do carro na posição quente (5C).

6) O próximo passo é checar a estanqueidade para o bom funcionamento do sistema. (6A)

Não esqueça de checar também, com os adaptadores adequados, se a tampa está pressurizada. (6B)

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    6A
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    6B

 

De nada adianta um sistema bem aditivado, mas sem pressurização. O fluido irá ferver do mesmo jeito. O mesmo se aplica ao bom funcionamento do eletroventilador do radiador e a limpeza interna e externa do mesmo. “Deve-se também tomar cuidado com radiadores recuperados, onde uma parte dos tubos é isolada a fim de sanar vazamentos. Sua capacidade de troca de calor cai muito”, explica Landulfo.

Água da torneira, não

De acordo com Graziano, o técnico não deve usar água de torneira para adicionar ao aditivo, pois contém cloro e sais minerais que podem provocar danos ao sistema de arrefecimento, como incrustações e corrosões nas partes. Entre a gama de produtos oferecidos, existe a água que passa por um minucioso processo de purificação, no qual é retirada de poços artesianos e vai diretamente para um equipamento de desmineralização por osmose reversa, de onde sairá pronta pra uso.

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Outra boa opção para não cair em armadilhas na hora de trocar o líquido do sistema é usar os produtos dois em um (encontrados em lojas de autopeças), ou seja, aqueles em que a mistura do aditivo com a água já vem pronta, eliminando assim o risco de realizar a combinação em proporções erradas. “Atualmente, 80% a 90% dos carros que trafegam no Brasil estão com o seu sistema de arrefecimento precisando fazer algum tipo de manutenção”, comenta Graziano.

Propriedades do aditivo:

• Aumento do ponto de ebulição e diminuição do ponto de congelamento;
• Anti corrosão;
• Mudanças na condutibilida de elétrica;
• Proteção contra o ressecamento de vedações e mangueiras fabricadas com materiais sintéticos.

Componentes do sistema:

• Bomba d’água
• Radiador
• Válvula termostática
• Ventoinha
• Mangueiras
• Líquido de arrefecimento

O mecânico pergunta:

1 – Devemos completar o reservatório com o líquido correto ou apenas trocá-lo?

Mayke Pinheiro, Serviços Automotivos Primoirmão

Via de regra, deve-se completar o reservatório com solução preparada (aditivo água), para se evitar uma super dosagem, ou uma diluição excessiva. A remontagem deve ser feita quando o nível do fluido diminuir (verificar sempre a frio). Nos sistemas selados, quando a estanqueidade do sistema está em ordem, a remontagem é muito rara. Nos sistemas convencionais a remontagem é mais freqüente. No entanto, assim como o selado, o sistema deve estar estanque.

2 – O que fazer quando o motor esquenta?

Jefferson de Queirós, 4º Batalhão de Infantaria Leve

1º) Não forçar o funcionamento nessas condições (risco de queima de junta de cabeçote e / ou engripamento de pistão);

2º) Deixar o motor esfriar bem antes de manusear o sistema ou adicionar fluido frio para uma movimentação emergencial (risco de queimaduras e trinca do cabeçote do motor)

3º) Verificar a estanqueidade do sistema (inclusive tampa do reservatório de expansão e/ ou radiador);

4º) Esvaziar o sistema tomando cuidado de descartar corretamente o fluido usado;

5º) Pesquisar e sanar todos os defeitos mecânicos e elétricos, que houver no motor, que possam provocar o sintoma de super aquecimento. Substituir preventivamente as peças que apresentem desgaste;

6º) Limpar bem o sistema (inclusive a parte externa do radiador);

7º) Reabastecer o sistema com fluido e testar a estanqueidade;

8º) testar o funcionamento do sistema com o veículo ligado.