TUDO SOBRE EMBREAGEM

Esta matéria tem a intenção de explicar o funcionamento do sistema de embreagem por ser muito mais complexo que apenas o conjunto platô, disco e rolamento/atuador hidráulico. E com base nesse conhecimento entender os problemas que a embreagem apresenta e algumas possíveis soluções.



Faremos uma seqüência de três textos começando por itens básicos e chegando até a um nível avançado, que conterá indicações de problemas e possíveis soluções. Acompanhe essas matérias e forme sua apostila sobre embreagem, um assunto que parece simples, mas que ao mesmo tempo torna-se complexo.



Componentes do sistema

O disco de embreagem é composto por:

• Revestimento: esse pode ser de material orgânico, conhecido como lona, ou de material sintético, chamado de revestimento cerâmico;

• Disco de retenção, fabricado de aço;

• Molas de guarnição de aço com têmpera especial;

• Molas de torção (nem todo disco as possui);

• Cubo: geralmente fabricado de aço estampado;

• Disco de torção: também de aço como o de retenção;

• Rebites.



O platô conta com os seguintes componentes:

• Carcaça: por muito tempo, foi produzida de ferro fundido (que ainda permanece na linha pesada), porém, está sendo substituída pelo aço estampado, amplamente aplicado na linha leve;

• Mola de retrocesso: feita de aço especial para manter a sua ação durante toda a vida útil do platô;

• Mola membrana: fabricada de aço de alta resistência por causa de sua forma, o platô conhecido como chapéu chinês;

• Alavanca: toda de aço conhecida como gafanhoto;

• Mola de acionamento: por seu trabalho constante, é produzida de aço;

• Anel de articulação: pode ser feito de diversos materiais, sendo o cobre o mais utilizado;

• Placa de pressão: conformada de aço.



O platô, em grande parte dos sistemas, é acionado por um rolamento ou por um atuador hidráulico que substitui o rolamento, e isso permite que o acionamento da embreagem seja feito com o motor e a transmissão em movimento sem desgastá-los prematuramente.

Em sistemas que contam com rolamento de embreagem, este geralmente trabalha em cima de um tubo guia, fabricado de metal, que em alguns casos pode ser confeccionado de plástico de alta resistência.

Em sistemas em que o acionamento é hidráulico, existe um cilindro mestre de embreagem e suas mangueiras de condução são ligadas ao atuador hidráulico, ou ao cilindro auxiliar.

Outro componente do sistema de embreagem é o volante do motor que, apesar de fazer parte dele, depende do bom acoplamento da embreagem. Essa peça é fabricada de aço e passa por um processo de balanceamento.



Função

A função básica de uma embreagem é fazer a ligação entre o motor e a transmissão do veículo, permitindo que em trocas de marchas o acoplamento e o desacoplamento entre ambos sejam feitos de maneira suave, transmitindo integralmente o torque do motor para a transmissão.

Contudo, há uma outra função pouco conhecida: a de atuar como um amortecedor de vibração diminuindo os ruídos gerados no sistema de transmissão.



Descreveremos sobre a função de cada item do sistema de embreagem:

• o revestimento do disco tem a função de aderir, com o maior atrito possível, ao volante do motor evitando que haja patinação entre ambos;

• o disco de retenção é responsável por manter as molas torcionais em seu lugar correto;

• as molas de guarnição auxiliam o platô na tarefa de manter a tensão entre o disco e o volante e absorvem parte das vibrações oriundas do câmbio;

• molas de torção, ou torcionais, são as que absorvem o tranco causado no primeiro contato entre o volante do motor, em funcionamento, e o disco de embreagem;

• o cubo transmite o torque gerado no motor e capturado pelos outros componentes do disco para o eixo piloto da transmissão;

• o disco de torção limita a flexão das molas de torção, impedindo que se danifiquem rapidamente;

• os rebites fixam várias peças do disco de embreagem>



As partes de um platô:

• a carcaça deve ser a base do platô, pois é nela que as outras peças irão se fixar e poderão trabalhar;

• a mola de retrocesso é a verdadeira responsável pela pressão exercida entre a placa de pressão e o disco de embreagem;

• a mola membrana e o conjunto alavanca/mola de acionamento têm a função de liberar a pressão exercida sobre o disco pelo platô;

• o anel de articulação facilita o acionamento e o desacionamento da mola membrana;

• a placa de pressão é responsável por manter a pressão exercida pelas molas de retrocesso, uniforme em toda a superfície do disco.

O cabo de aço tem a função de puxar o garfo de acionamento do rolamento, que por sua vez é responsável por permitir que o platô não seja acionado, mantendo seu movimento rotacional.

O acionamento hidráulico pode atuar diretamente sobre o platô no lugar do rolamento, ou atuar sobre o garfo empurrando o rolamento para que cumpra a sua função sobre o platô. Esse está substituindo o sistema de acionamento mecânico.

O volante é um caso à parte, pois há modelos que utilizam o volante maciço e modelos bimassa, e sua função principal é servir de acumulador de energia cinética e fornecer uma base para que o disco de embreagem possa captar o torque do motor e repassá-lo para a transmissão.

O volante maciço, por ser geralmente fabricado em uma única peça, pode, inclusive, ser retificado várias vezes durante sua vida útil. Entretanto, o volante bimassa possui molas e contrapesos que são desenvolvidos conforme a aplicação de cada motor, esse sistema tem a função de suavizar o funcionamento do motor, mas não pode ser retificado, em caso de danos deve ser substituído. O volante bimassa pode ser reconhecido facilmente por ser mais grosso que o convencional. Atualmente, sua utilização está em expansão em todas as linhas: leve, média e pesada.



Funcionamento

O atrito entre o volante e o disco que é pressionado pelo platô faz com que o torque do motor seja passado para o sistema de transmissão. A compreensão desse princípio é fundamental para se entender uma série de problemas que veremos.

Para começarmos a entender o funcionamento da embreagem, devemos saber que uma embreagem está totalmente acionada quando o platô estiver exercendo pressão máxima em cima do disco de embreagem e do volante, por isso falamos que debreamos ao pisar no pedal de embreagem.

Todo o processo se inicia quando o pedal de embreagem é pressionado, esse movimento é transmitido pelo cabo, ou varão de embreagem, até o garfo do rolamento, que pressionará a mola membrana, ou alavancas, do platô. Isso fará com que o disco de embreagem seja liberado e, dessa maneira, o torque do motor deixa de ser transmitido ao câmbio.

Nesse momento, é criada uma diferença de rotação entre o motor do veículo e seu sistema de transmissão, por isso, quando soltamos o pedal de embreagem, devemos fazê-lo de forma suave e progressiva, a fim de equalizarmos as rotações e evitarmos trancos ou patinação excessiva.

O sistema hidráulico funciona da mesma maneira, mas quem irá conduzir a força exercida no pedal de embreagem e no cilindro mestre será o fluido, geralmente de freio, fazendo com que esse tipo de acionamento seja mais leve e torne as vibrações menos perceptíveis. Esse sistema, na maioria dos casos, aproveita o reservatório do fluido de freio para suprir sua necessidade, mas os que têm um reservatório dedicado facilita a manutenção.

O volante, assim como os outros componentes do sistema, deve estar em perfeitas condições, alinhado e balanceado com a rugosidade em contato do disco de embreagem.



ASSISTA AO VÍDEO E ENTENDA MELHOR O SISTEMA: