Você sabe o que é o Isofix?

No ano que vem a legislação brasileira deverá corrigir uma entre as grandes incoerências existentes atualmente no que diz respeito à segurança no transporte infantil: O uso do Isofix. O sistema europeu com padrão universal para fixação de cadeirinhas e outros dispositivos de retenção infantil como o bebê conforto já existe em muitos veículos comercializados no Brasil. O problema, no entanto, é encontrar no mercado cadeirinhas com o encaixe apropriado para o Isofix. E o motivo, apesar de extremamente complexo, é simples: o sistema ainda não é contemplado pela NBR 14.400, que legisla sobre o tema, o que impossibilita sua certificação pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Logo, as cadeirinhas apropriadas para o sistema Isofix, que é muito mais seguro, estão fora da lei, já que só podem ser comercializadas no Brasil cadeirinhas que levem o selo do Inmetro. Uma distorção que deverá ser corrigida em breve, com uma revisão já em curso da norma 14.400, que deverá passar a vigorar em 2013, regulando o uso do Isofix.

MERCADO Se importadas pelo próprio dono do carro, as cadeirinhas com Isofix podem ser usadas, já que, em fiscalização de trânsito não pode ser cobrado o selo do Inmetro, mas apenas o uso do dispositivo adequado (bebê conforto, até 1 ano; cadeirinha, entre 1 e 4 anos; assento de elevação, entre 4 e 7,5 anos). Mas para comercialização o selo é exigido, o que explica a dificuldade de encontrar no mercado brasileiro cadeirinhas que se adaptem ao sistema Isofix (quando encontradas são bem mais caras e há a necessidade de terem os dois sistemas de encaixe – Isofix e pelo cinto de segurança).

“Existem cadeiras com o sistema Isofix – que é o melhor –, mas que têm uma etiqueta em cima das instruções desse sistema. Ou seja, não pode ser usado mesmo estando na cadeira porque a norma com essa realimentação ainda não está publicada e aprovada”, explica a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françóia. “O texto está pronto e só falta uma última revisão. E a partir da publicação, as indústrias vão poder certificar seus produtos com esse sistema. Faltará, ainda, convencer as montadoras a oferecerem o sistema”, completa, fazendo referência à revisão da NBR 14.400. O que é confirmado pela assessoria de imprensa do Inmetro: “O regulamento atual não contempla Isofix. É possível existir cadeirinhas certificadas, mas com uso do cinto de segurança. O uso do Isofix não foi testado. Mas ano que vem isso vai ser revisado”.

MODELOS COM ISOFIX
Audi – Todos, exceto os da família R8 e o modelo TTRS (revendas comercializam cadeirinhas com Isofix); BMW –Todos, inclusive os Mini; Chrysler – Todos; Citroën – DS3, DS5, C4, C4 Pallas, C4 Picasso, Grand C4 Picasso e C5; Fiat – Bravo, Freemont e 500; Ford – Novo Ecosport, Fusion, Edge e New Fiesta (a marca estuda comercializar, como acessório, cadeirinhas com Isofix); GM – Camaro, Malibu, Captiva, TrailBlazer, Cruze (hatch e sedã); Hyundai – Azera, Veloster, Genesis, Veracruz e Sonata; Kia – Optima; Land Rover – Freelander 2, Range Rover Evoque e Novo Range Rover Vogue; Mercedes – Todos, com exceção dos veículos de dois lugares (SL, SLK, SLS). O smart fortwo, a partir do modelo 2011, também tem; Misubishi – Outlander; Nissan – Versa (nas versões mais caras); Peugeot – 508, 3008, RCZ e 308 CC; Suzuki – SX4 e Grand Vitara; Toyota – Camry; Volkswagen – Polo (hatch e Sedan), Golf, Passat (Sedan e Variant), CC, Tiguan, Touareg, Jetta (Sedan e Variant), Amarok e Fusca; Volvo – Todos. Não têm: Chery, Honda, JAC e Renault.

Imagem mostra como a cadeirinha com sistema isofix é presa diretamente no chassi do veículo


Análise da notícia
Antes tarde...
A revisão da NBR 14.400 vem tarde, mas tomara que, de fato, venha. A não certificação de cadeirinhas e outros dispositivos com o sistema Isofix é só mais uma das distorções do mercado x governo brasileiro quando o assunto é segurança no trânsito. A própria exigência do uso das cadeirinhas em vigor desde 2010, que diga-se de passagem também chegou tarde, ainda é recheada de falhas graves como a discriminação dos dispositivos por idade sem levar em conta peso e altura da criança, aspectos fundamentais para a determinação do tipo de dispositivo de retenção a ser usado. Sem falar na maior das distorções, que é a ausência de regulamentação dos dispositivos em táxis e em veículos de transporte escolar. Permitir o uso do Isofix será, pelo menos, uma forma de facilitar a vida dos pais que hoje podem pagar por equipamentos mais caros e, no futuro, contribuir para o acesso de toda a sociedade beneficiada com a produção em larga escala. Melhor ainda se o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) tornasse o sistema obrigatório, como na Europa. (PC)